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03 A Promessa - Ag 2.10-23

DESENVOLVIMENTO[1]

Dois meses depois[2] de falar sobre a glória do Segundo Templo, Ageu volta a profetizar em nome do Senhor no mês de quisleu, isto é, em novembro/dezembro de nosso calendário, no 24º dia:[3]No vigésimo quarto dia do nono mês, no segundo ano do reinado de Dario, a palavra do SENHOR veio ao profeta Ageu [...]” (Ag 2.10). É interessante que agora a datação tem a sequência diferente. Nas duas primeiras datações a sequência foi ano, mês e dia, mas agora a sequência é dia, mês e ano. Isso aponta para a importância desse dia, que foi o dia quando os fundamentos do Templo foram lançados.[4] 

 

PROBLEMA (Ag 2.10-14)

Assim diz o SENHOR dos Exércitos: ‘Faça aos sacerdotes a seguinte pergunta sobre a Lei: Se alguém levar carne consagrada na borda de suas vestes, e com elas tocar num pão, ou em algo cozido, ou em vinho, ou em azeite ou em qualquer comida, isso ficará consagrado?’ Os sacerdotes responderam: ‘Não’. Em seguida perguntou Ageu: ‘Se alguém ficar impuro por tocar num cadáver e depois tocar em alguma dessas coisas, ela ficará impura?’ ‘Sim’, responderam os sacerdotes, ‘ficará impura’. Ageu transmitiu esta resposta do SENHOR: ‘É o que acontece com este povo e com esta nação. Tudo o que fazem e tudo o que me oferecem é impuro’”. (Ag 2.11-14).

Quando surgia alguma dúvida ou problema na aplicação da Lei (Torah= Pentauteco), os sacerdotes deveriam ser consultados e deveriam resolver a questão pronunciando uma Lei (Torah) ou instrução.[5] As pergunta feitas por Ageu aos sacerdotes dizem respeito à consagração. A primeira pergunta é acerca de carne consagrada que era oferecida pelo pecador. O animal era morto, a carne era consagrada, uma parte ficava com o sacerdote, outra com o ofertante e outra parte era oferecida como sacrifício. A pergunta é se o contato com essa carne, carregada por alguém, provavelmente o sacerdote que carregava a carne consagrada nas dobras das vestes consagraria aquilo que tocasse. De acordo com Levítico 6.27 a própria roupa seria santa, mas essa santidade não passaria para nada que a roupa tocasse.[6] Por isso a resposta é negativa. A segunda pergunta é se alguém que tocou em um cadáver e ficou impuro (como afirmava a Lei: “Não entrará onde houver um cadáver. Não se tornará impuro, nem mesmo por causa do seu pai ou da sua mãe” - Lv 21.11), tocasse em um dos itens citado anteriormente, esses itens ficavam impuros. A resposta é positiva, de acordo com Levítico 22.4-7.[7] A carne consagrada não consagrava com o contato, mas a pessoa impura, ao tocar alguma coisas, gerava impureza. Diante dessa constatação da Lei, o Senhor responde através do profeta: “É o que acontece com este povo e com esta nação. Tudo o que fazem e tudo o que me oferecem é impuro” (Ag 2.14). Israel[8] havia sido separado para o Senhor, e por isso era santo, mas tinha se tornado impuro e tudo o que fazia e tocava se tornaria impuro.[9] O problema é que tudo o que o povo faz com as mãos (reconstrução do Templo) e oferece (sacrifícios) era impuro (cf. 2.17).[10] Por quê?

APLICAÇÃO: A mudança deve ser integral, dentro de nós e não apenas exterior. Não precisamos apenas trabalhar mais, mas nós, nosso caráter, deve mudar. Não é mudança de “casca”, mas de “conteúdo”.

            O QUE FAZER? (2.15-19)

            O profeta deixa claro que a hora é “agora”. Esta expressão não é apenas cronológica, mas teológica também. O momento de reflexão e mudança é agora. Não foi antes, nem será depois. É agora![11] Isso porque, “desde aquele dia” (ARA) os moradores de Jerusalém devem “considerar”. Essa expressão (“desde aquele dia”) se refere tanto ao passado quanto ao futuro.[12]

  1. 1.“Considerem” o passado – escassez

Verbo imperativo. A tradução literal é pôr, colocar, depositar. No original há um substantivo que acompanha o verbo. Esse substantivo pode ser traduzido como mente ou coração. A ideia é a de colocar algum objeto sobre a mesa e olhar atentamente para ele, observando todos os detalhes.[13] A ordem de Deus é para que os moradores de Jerusalém considerem o passado de escassez que viveu antes de começarem a restaurar o Templo. Eles esperavam encontrar uma medida de trigo ou e vinho para a Festa agrícola dos Tabernáculo (2.1-9), mas encontraram muito menos do que o esperado (cf. Ag 1.9a: “Vocês esperavam muito, mas, eis que veio pouco [...]”). Essa escassez era resultado da ação de Deus: “Eu destruí todo o trabalho das mãos de vocês, com mofo, ferrugem e granizo, mas vocês não se voltaram para mim, declara o SENHOR” (Ag 2.17), que assim fez para que o povo voltasse para Ele, mas mesmo assim o povo não voltou, isto é, não se arrependeu.

APLICAÇÃO: Olhar para o passado.

  1. 2.“Considerem” o presente[14]

A segunda ordem é “considerar” do mesmo modo como antes, mas agora o presente, o momento em que foram colocados os fundamentos do Templo de Deus. Os “fundamentos” não são vistos, mas estão lá. Ainda não estamos vendo nada, mas os fundamentos estão sendo colocados.

Porém, ao olharmos para o presente, “não há semente no celeiro” e “até hoje a videira, a figueira, a romeira e a oliveira não têm dado fruto” (Ag 2.19). Não há fruto, “mas, de hoje em diante, abençoarei vocês”. A época das grandes chuvas estava chegando,[15] mas isso apenas sinalizava a benção de Deus que cairia sobre seu povo.

APLICAÇÃO: Olhamos para nós, para os ministérios e para a comunidade e não encontramos frutos. Porém, há uma promessa consoladora e que traz nova vida: Mas, de hoje em diante, abençoarei vocês” (Ag 2.19c). Essa benção é referente a próxima colheita sem seca e praga.[16] No presente não vemos os fundamentos que foram colocados e não vemos frutos, mas a promessa é de que o Senhor nos abençoará a partir de agora. Você crê nisso?

 

            GRAÇA (2.20-23)

            No mesmo dia, em sua última manifestação profética, Ageu fala somente a Zorobabel:[17]

A palavra do SENHOR veio a Ageu pela segunda vez, no vigésimo quarto dia do nono mês: ‘Diga a Zorobabel, governador de Judá, que eu farei tremer o céu e a terra. Derrubarei tronos e destruirei o poder dos reinos estrangeiros. Virarei os carros e os seus condutores; os cavalos e os seus cavaleiros cairão, cada um pela espada do seu companheiro. Naquele dia’, declara o SENHOR dos Exércitos, ‘eu o tomarei, meu servo Zorobabel, filho de Sealtiel’, declara o SENHOR, ‘e farei de você um anel de selar, porque o tenho escolhido’, declara o SENHOR dos Exércitos”. (Ag 2.20-23)

A primeira promessa a Zorobabel (vv. 21-22) é de um abalo cósmico. Porém, esse abalo não significa um abalo na ordem da Criação, mas sim a alteração da História.[18] É o anúncio de um novo Reino que se levantará e destruirá os outros reinos. Na perspectiva de Zorobabel, com “tronos” Deus está se referindo ao Império Persa,[19] que de fato, em 331 a.C. cai diante do Império Grego liderado por Alexandre, o Grande. O Império Grego, já dividido depois da morte de Alexandre, é derrotado por Roma paulatinamente durante todo o século I a.C. Com “poder dos reinos estrangeiros” a profecia refere-se a força militar do Império Persa.[20] As duas afirmações seguintes explicam como a força militar será derrotada. Primeiro o “carro e seus condutores” serão virados, isto é, derrubados. Estes eram carros de combate comuns na Antiguidade. Em segundo lugar os “cavalos e seus cavaleiros”, isto é, a parte da cavalaria do exército Persa seria derrotada sem a necessidade de intervenção de Deus, pois “cairão cada um pela espada de seu companheiro”. Aqui é flagrante a relação com os persas, pois foram eles que incluíram significativos contingentes de cavaleiros em seu exército.[21] Devemos notar que os reinos serão implodidos de dentro para fora.

Essa promessa está profundamente ligada a promessa seguinte, conhecida como promessa davídica. O Senhor, através de Ageu, afirma que Zorobabel é seu “servo” e não mais o “governador”.[22] Essa designação é comum no Antigo Testamento para alguns personagens importantes como Abraão (Gn 26.24), Jacó (Ez 28.25) Moisés (Nm 12.7), Davi (2Sm 7.5) e em especial o Servo Sofredor (e.g. Is 53). Nesse texto de 2Samuel há a promessa de Deus a Davi (2Sm 7.1-17). Nessa Aliança, o Senhor promete que sempre haverá um descendente de Davi no trono de Israel (especialmente 2Sm 7.16). É essa promessa que é reafirmada agora por Ageu, pois Zorobabel é descendente de Davi. Além de ser “servo”, Zorobabel também é apontado como “um anel de selar”, algo novo até então.[23] Isso significa que Zorobabel tem autoridade, pois esses anéis eram usados para autenticar documentos ou as ordens pessoais do rei.[24] Dessa forma, Zorobabel é apontado como um representante de Deus revestido de autoridade. Interessante que essa promessa reverte a ameaça feita ao avô de Zorobabel, Jeconias (= Joaquim) pelo profeta Jeremias (Jr 22.24-27).[25] Zorobabel foi o “último” descendente de Davi que trabalhou na reorganização de Judá.[26] Porém, essas promessas não se realizaram plenamente em Zorobabel, mas em outro Escolhido.

O Reino e o Servo que tem autoridade anunciados por Ageu não se completam plenamente em Zorobabel. Tanto Mateus quanto Lucas nos apresentam o seguinte na genealogia de Jesus: “Depois do exílio na Babilônia: Jeconias gerou Salatiel; Salatiel gerou Zorobabel” (Mt 1.12) e “[...] filho de Joanã, filho de Ressa, filho de Zorobabel, filho de Salatiel […]” (Lc 3.27). O descendente de Zorobabel é Jesus. A promessa e a esperança são Messiânicas.[27]

O Reino anunciado é o Reino de Deus, anunciado por Jesus: “O tempo é chegado”, dizia ele. “O Reino de Deus está próximo. Arrependam-se e creiam nas boas novas!” (Mc 1.15). O Servo anunciado é o próprio Deus Jesus Cristo, conforme afirma o Evangelho de Mateus: “Eis o meu servo, a quem escolhi, o meu amado, em quem tenho prazer. Porei sobre ele o meu Espírito, e ele anunciará justiça às nações” (Mt 12.18). Esse Reino é anunciado pelo Servo que tem autoridade para ensinar (“Todos ficavam maravilhados com o seu ensino, porque lhes ensinava como alguém que tem autoridade e não como os mestres da lei”. Mc 1.22), sobre os poderes das trevas (“Todos ficaram tão admirados que perguntavam uns aos outros: “O que é isto? Um novo ensino — e com autoridade! Até aos espíritos imundos ele dá ordens, e eles lhe obedecem” Mc 1.27), para perdoar pecados (Mc 2.10-12) e sobre a natureza (Mc 4.25-41).

CONCLUSÃO

Salomão e seu “exército” de trabalhadores levaram sete anos e meio anos para construir o Templo. Os trabalhadores da época de Ageu levaram quatro anos e meio para tal feito.[28]

Expressões de “dito divino” no livro: 1.1-2, 3, 5, 7, 9, 13; 2.1, 4 (3x), 6, 7, 8, 9 (2x), 10, 11, 14, 17, 20 e 23 (3x). Total: 24 vezes.  

 



[1] Schwantes concorda com as três divisões nessa perícope. In: SCHWANTES, Milton. Ageu. Petrópolis, RJ: Vozes e Sinodal, 1986, p. 50.

[2] BALDWIN, Joyce G. Ageu, Zacarias e Malaquias. Introdução e comentário. [Trad. Hans Udo Fuchs]. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1972, p. 39.

[3] 18/12/520 a.C. In: SCHWANTES, 1986, p. 52; BALDWIN, 1972, p. 39.

[4] SCHWANTES, 1986, pp. 52-53; RAYMONDE, E.B., FITZMYER, J.A e MURPHY, R.E (Editores). Novo Comentário Bíblico São Jerônimo. Antigo Testamento. [Trad. Celso Eronides Fernandes]. São Paulo: Academia Cristã e Paulus, 2007, p.705.

[5] Biblia de Estudo Almeida; SCHWANTES, 1986, p. 53-54; RAYMONDE, FITZMYER e MURPHY, 2007, p. 704.

[6] BALDWIN, 1972, pp. 39-40.

[7] BALDWIN, 1972, p. 40.

[8] RAYMONDE, FITZMYER e MURPHY, 2007, pp. 704-705.

[9] BALDWIN, 1972, p. 40.

[10] SCHWANTES, 1986, pp. 55-57; RAYMONDE, FITZMYER e MURPHY, 2007, p. 705.

[11] SCHWANTES, 1986, p. 58.

[12] BALDWIN, 1972, p. 40.

[13] Schwantes define como “atenciosa verificação”. In: SCHWANTES, 1986, p. 57.

[14] BALDWIN, 1972, p. 41.

[15] SCHWANTES, 1986, p. 60.

[16] BALDWIN, 1972, p. 39.

[17] SCHWANTES, 1986, p. 61.

[18] SCHWANTES, 1986, p. 61.

[19] SCHWANTES, 1986, p. 62; BALDWIN, 1972, p. 42.

[20] SCHWANTES, 1986, p. 62.

[21] SCHWANTES, 1986, p. 62.

[22] SCHWANTES, 1986, p. 63; BALDWIN, 1972, p. 43.

[23] SCHWANTES, 1986, p. 64.

[24] SCHWANTES, 1986, p. 64; BALDWIN, 1972, p. 43.

[25] SCHWANTES, 1986, p. 64; BALDWIN, 1972, p. 43.

[26] RAYMONDE, FITZMYER e MURPHY, 2007, p. 705

[27] SCHWANTES, 1986, p. 65; BALDWIN, 1972, p. 43; RAYMONDE, FITZMYER e MURPHY, 2007, p. 705.

[28] BALDWIN, 1972, p. 42.