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Treinamento - Igreja Presbiteriana de Novo Campos Elísios

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Aula 1 - Introdução

 

TREINAMENTO DE INTERPRETAÇÃO BÍBLICA

Exegese, Hermenêutica e Introdução das Sagradas Escrituras

 

INTRODUÇÃO

            O presente treinamento tem como objetivo “preparar os santos para a obra do ministério, para que o Corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo” (Ef 4.12-13). Para alcançarmos este objetivo, através do treinamento buscaremos “manejar bem a Palavra da Verdade” (1Tm 2.25) e assim “expor toda a Escritura” (cf. Lc 24.27). Faremos isso “unindo” o estudo do perito e o desejo do “leigo”. O perito, geralmente, preocupa-se apenas com o significado do texto “lá” e o leigo com o que o texto significa “aqui”. Porém, o correto e esse é nosso objetivo, é entendermos o significado do texto “lá” (exegese) e com isso o que ele significa “aqui” (hermenêutica). Somamos a isso nossa devoção, pois a verdadeira exegese e hermenêutica é “banhada” na devoção verdadeira que é fruto da relação com Deus. Também nesse treinamento, estudaremos a história bíblica e buscaremos entender a “chave de leitura” de cada livro bíblico. Isso ajudará no trabalho de exegese e hermenêutica. Que a igreja seja edificada, o perdido seja encontrado e Cristo seja adorado!

 

OS PERIGOS NA INTERPRETAÇÃO BÍBLICA

 

            Por que estudarmos a Bíblia através da exegese e hermenêutica? Não precisamos apenas ler e meditar na Escritura? Há alguns anos o Fantástico noticiou a história de um suposto “pastor” que, usando sua interpretação de Oséias 3.1-5, promoveu e depois justificou seu caso extraconjugal com uma mulher casada membro de sua pequena igreja. Esse é um caso extremo, mas infelizmente problemas como esse são muito comuns hoje. Isso acontece porque a Bíblia é Palavra de Deus, mas também é “palavra de homens”, isto é, Deus usou pessoas em seus respectivos contextos históricos, sociais e culturais para a redação do texto sagrado. Por isso, precisamos usar de todos os meios que temos para o estudo sério e profundo da Sagrada Escritura e isso acontece quando usamos a exegese e a hermenêutica.              

            Para começarmos, vamos ver três passos importantes na interpretação bíblica:

 

  1. 1.A Bíblia dever ser interpretada à luz de seu contexto histórico

Todo texto bíblico surgiu dentro de um contexto histórico, social e cultural e esse contexto deve ser respeitado para alcançarmos uma interpretação séria e correta. A dificuldade surge porque a Bíblia foi sendo composta em milhares de anos (aproximadamente 1600 anos) e em vários contextos. Por isso, faz-se necessário um estudo correto.

 

  1. 2.As partes da Bíblia devem ser interpretadas à luz do todo

Um texto da Bíblia não pode contradizer outros textos. Textos mais difíceis devem ser interpretados à luz de outros textos, obedecendo ao seguinte princípio: “as Escrituras interpretam as Escrituras”. Isso é importante porque nenhum texto bíblico está isolado, mas todos estão dentro de um contexto e esse contexto deve nos conduzir ao texto estudado. Portanto, devemos ser conduzidos pela leitura bíblica ao seu entendimento e não o contrário, ou seja, conduzir o texto bíblico à nossa vontade, interpretação e entendimento.[1] Isso seria eixegese. O Antigo Testamento deve ser interpretado à luz do Novo Testamento e vice-versa.    

 

  1. 3.A Bíblia deve ser interpretada levando em conta os diferentes tipos de literatura

A Bíblia é composta por vários gêneros literários e isso deve ser respeitado no trabalho de exegese e principalmente na interpretação (hermenêutica). A correta interpretação bíblica necessariamente passa pela identificação do gênero literário da passagem e/ou livro estudado.

            Com a interpretação não devemos buscar um sentido “obscuro” que ninguém nunca encontrou, mas sim o sentido verdadeiro do texto. É simplicidade e profundidade.[2]

 

 

 

 

 

OS OBSTÁCULOS NA INTERPRETAÇÃO BÍBLICA

 

  1. 1.A NATUREZA DO LEITOR

Todo leitor é um intérprete, porém um intérprete influenciado por seus valores, história e paradigmas. Ao falar da “cruz”, vocês rapidamente pensarão nessa cruz: . Porém, a cruz que Jesus foi crucificado provavelmente era da seguinte forma: T.[3] Conceitos pré-estabelecidos influenciam nossa interpretação. Outra situação encontramos na interpretação de 1Corintios 14.1-40. Com base nesse texto, alguns defendem o silêncio das mulheres na igreja, mas são contra o “dom de línguas” que é tratado no mesmo texto. O contrário também acontece. Qual a interpretação correta? As mulheres devem continuar caladas na igreja? Se sim, como explicamos Atos 21.8-9? E a influência de Evódia e Síntique na igreja de Filipos (Fp 4.2)? Certamente elas “falavam” na igreja para que o problema surgisse. Uns defendem o batismo de crianças, enquanto outros só batizam adultos. Além desses “pequenos” problemas, a interpretação errada também gera a teologia errada. A teologia da prosperidade é um exemplo claro disso. Um escritor norte americano defende que 3João 2 (“Amado, acima de tudo, faço votos por tua prosperidade e saúde, assim como é prospera a tua alma”. – ARA) fala abertamente da prosperidade financeira. É isso mesmo? Fato é que com base em “suas interpretações” muitos defendem o batismo pelos mortos (Mormons) e a não divindade de Cristo (Arianismo e Testemunhas de Jeová). Toda essa confusão é gerada pela “interpretação” influenciada pela natureza do intérprete. Por isso o exercício série de estudo através da exegese e hermenêutica é importantíssimo.     

 

  1. 2.A NATUREZA DA ESCRITURA

Assim como Jesus, a Bíblia é divina e humana. O professor George Ladd afirmou: “A Bíblia é a Palavra de Deus dada nas palavras de pessoas na história.” Por isso a Bíblia tem relevância eterna, isto é, fala para todas as pessoas em todas as épocas e em todas as culturas; e particularidades históricas, ou seja, cada texto é condicionado pela linguagem, pela sua época, e pela cultura em que originalmente foi escrito. A interpretação bíblica exige essa “tensão” entre sua relevância eterna e suas particularidades históricas. Alguns creem que a Bíblia é apenas um livro histórico, enquanto outros creem ser a Bíblia apenas um livro divino, porém nós cremos na tensão entre divino e humano. Por isso levamos em consideração os 1600 anos que a Bíblia levou para ser concluída. Assim devemos entender que a Palavra de Deus para nós hoje, antes é a Palavra de Deus para aqueles que primeiro a receberam. Sendo assim, Deus revelou-se de maneira que “eles” pudessem entender. Porém, estamos “muito longe” deles em vários sentidos (histórica, cultural e socialmente) e por isso a necessidade da interpretação. Por isso devemos “ouvir” a Palavra de Deus “lá”, como “eles” ouviram e só depois devemos entender a Palavra de Deus para nós hoje.

Outro fator importantíssimo é que Deus, para comunicar-se com diferentes pessoas em diferentes contextos, escolheu revelar-se em diferentes formas de comunicação: narrativas, genealogias, crônicas, leis, poesias, provérbios, profecias, enigmas, biografia, parábolas, sermões e apocalipses. Entender os “gêneros literários” é de extrema importância para a interpretação correta da Bíblia.  

 

O QUE É EXEGESE E HERMENÊUTICA?

 

            A Bíblia afirma que só podemos entender as coisas de Deus através do Espírito de Deus (1Cor 2.11) e que o cristão que recebeu a unção do Espírito não precisa de ninguém que o ensine (1Jo 2.27). Então, por que, precisamos aprender a exegese e a hermenêutica? Isso acontece porque Bíblia é um livro divino e também é um livro humano (exemplo de Jesus).[4]

 

EXEGESE

Exegese a busca pelo sentido original do texto. Literalmente significa “conduzir para fora”. É o estudo e a busca do significado e da explicação de um texto a partir de sua origem. Fee e Stuart definem da seguinte maneira: “é o estudo cuidadoso e sistemático da Escritura para descobrir o significado original que foi pretendido. A exegese é basicamente uma tarefa histórica. É a tentativa de escutar a Palavra conforme os destinatários originais devem tê-la ouvido; descobrir qual era a intenção original das palavras da Bíblia”.[5] Silva define exegese como uma busca para “compreender o texto bíblico em si mesmo: as idéias, as intenções, a forma literária de um texto específico e suas relações formais com outros textos”.[6]

 

HERMENÊUTICA

A palavra hermenêutica vem da mitologia grega. Hermes, filho de Zeus, era o mensageiro e intérprete das mensagens dos deuses aos homens. Assim, a palavra hermeneuo passou a significar explicar, interpretar e traduzir. Essa palavra aparece em 1Cor 12.10 e Hb 7.2. Hermenêutica é a interpretação do texto, isto é, “a disciplina que lida com os princípios de interpretação”.[7] Fee e Stuart, de uma maneira mais prática, afirmam que é a procura da relevância contemporânea dos textos antigos.[8] Silva escreve que o “bom hermeneuta é capaz de familiarizar-se com o texto. Por isso se enamora do mesmo, ou seja, cria uma relação de ‘proximidade’, porque o lê diversas vezes e penetra em suas entrelinhas, para cavar a realidade desse mesmo texto.”[9] A hermenêutica vem depois da exegese, pois o “único controle apropriado para a hermenêutica acha-se na intenção original do texto bíblico”[10] e “um texto não pode significar aquilo que nunca significou”.[11]

 



[1] SILVA, Cássio Murilo Dias. Metodologia de Exegese Bíblica. São Paulo: Paulinas, 2000, p. 22.

[2] FEE, G. D. & STUART, D. Entendes o que Lês? Um guia para entender a Bíblia com o auxílio da exegese e da hermenêutica. São Paulo: Vida Nova, 1997, pp. 1-14.

[3] FEE & STUART, 1997, p. 14.

[4] KAISER, W. C. & SILVA, M. Introdução à Hermenêutica Bíblica. Como ouvir a Palavra de Deus apesar dos ruídos de nossa época. [Trad. Paulo César Nunes dos Santos, Tarcízio José Freitas de Carvalho e Suzana Klassen]. São Paulo: Cultura Cristã, 2002, p. 14.

[5] FEE & STUART, 1997, p. 19.

[6] SILVA, 2000, p. 29.

[7] KAISER & SILVA, 2002, p. 13.  

[8] FEE & STUART, 1997, p. 25.

[9] SILVA, 2000, p. 344.

[10] FEE & STUART, 1997, p. 25.

[11] FEE & STUART, 1997, p. 26.