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Treinamento - Igreja Presbiteriana de Novo Campos Elísios

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Aula 17 Parábolas

EXEGESE GÊNERO LITERÁRIO

 

PABOLAS AULA 171

 

 

 

Ao longo da história as parábolas têm sofrido gravemente com terríveis interpretões e muitos atrelam esta interpretão das parábolas a afirmão de Jesus:Quando ele ficou sozinho, os Doze e os outros estavam ao seu redor lhe fizeram perguntas acerca das parábolas. Ele lhe disse: ‘A vocês foi dado o mistério do Reino de Deus, mas aos que estão fora tudo é dito por parábolas, a fim de que,

ainda que vejam, não percebam;

 

Ainda que oam, não entendam;

 

de outro modo, poderiam converter-se

 

e ser perdoados!’” (Mc 4.10-12)

 

 

 

A seguir, no Evangelho, Jesus interpreta de forma semi alegórica e essa interpretão foi entendida como uma licença para a interpretação alegórica de todas as parábolas, além do fato de que as parábolas não deveriam ser compreendidas pelos de fora da igreja, mas esta tinha todo o direito de interpretar as parábolas como bem entendesse, pois os mistérios significados das parábolas estavam ocultos e deveriam ser descobertos por meio da alegoria, capacidade es concedida a poucos. Mas o que é uma interpretão alegórica? A seguir, um exemplo da interpretão alegórica que Agostinho, grande tlogo da igreja, fez da parábola do “Bom Samaritano” (Lc 10.25-37):

  • Um homem que descia de Jerusalém para Jericó” – Adão

 

  • Jerusalém” – a cidade celestial da paz, da qual Adão caiu

 

  • Jericó” – a lua e significa a mortalidade de Adão

 

  • assaltantes” – o diabo e seus anjos

 

  • tiraram as roupas” – roubaram a imortalidade de Adão

 

  • espancaram e se foram” – persuadi-lo a pecar

 

  • deixando-o quase morto como homem, vive, mas morreu espiritualmente; é semimorto, portanto
  • sacerdote e levita” – o sacerdócio e o ministério do Antigo Testamento

 

 

 

 

1 Aula prepara com material de: FEE, G. D. & STUART, D. Entendes o que s. Um guia para entender a

Bíblia com o auxílio da exegese e hermenêutica. São Paulo: Vida Nova, 1997, pp. 120-35.


  • o samaritano afirma-se que significa guardador”, por isso faz referência a

 

Cristo

 

  • enfaixou-lhes as feridas” – significa restringir o constrangimento do peado

 

  • óleo” – o consolo da boa esperança

 

  • vinho” – exortação para trabalhar com um espírito fervoroso

 

  • animal” – a carne da encarnão de Cristo

 

  • hospedaria” – a igreja

 

  • no dia seguinte depois da ressurreição

 

  • dois denários” – a promessa desta vida e da provir

 

  • hospedeiro” – o apóstolo Paulo

 

 

 

Certamente não era isso que Jesus intencionava ensinar com esta parábola, pois seu ensino neste caso foi resultado de uma pergunta acerca do próximo (E quem é meu próximo? Lc 10.29) e por isso visava os relacionamentos humanos e não o relacionamento entre as pessoas e Deus. Jesus também não mencionaria a sua igreja, muito menos o apóstolo Paulo para as pessoas daquela época e naquele contexto.

Também podemos afirmar que Jesus contava as parábolas para todas as pessoas (cf. Lucas 15.3, 18.9 e 19.11) e para que algumas entre elas as entendessem, assim como o mestre da Lei entendeu a parábola do “Bom Samaritano” (cf. 10.37). Desta forma, os  de  fora  ouviriam  as  parábolas,  isto  é,  os  mistérios  do  Reino  de  Deus  e  não entenderiam, mas com o tempo essa verdade poderia ser “deflagrada” dentro deles.

 

 

A NATUREZA DAS PABOLAS

 

É muito importante na leitura e interpretão das parábolas o entendimento de que nem todas as parábolas são iguais. Ao contrário, diferenças básicas entre elas.

Parábolas verdadeiras. São aquelas que narram histórias reais com começa, meio, fim e um enredo. Algumas parábolas verdadeiras são: o bom samaritano (Lc 10.25-37), a ovelha encontrada (desgarrada), a moeda encontrada (perdida) e o filho perdido (pródigo) (Lc 15.1-32), a grande ceia (Lc 14.15-24), os trabalhadores na vinha (Mt 20.1-16), o rico e zaro (Lc 16.19-31) e as dez virgens (Mt 25.1-13).

Similitudes são ilustrões tiradas de situões do cotidiano das pessoas  que

 

Jesus usava como argumento. Exemplos de similitudes são as parábolas do fermento na massa (Mt 13.33), do semeador (Mc 4.1-9) e do grão de mostarda (Mc 4.30-32).


Metáforas     e    miles    são    semelhantes    às    similitudes,    mas    a     lão    é

 

consideravelmente diferente. Exemplos de metáforas e símiles são os ensinos sobre sal da terra e luz do mundo (Mt 5.13-16), por exemplo.

É importante entendermos que a função das parábolas é evocar respostas ao ouvinte/leitor e não ilustrar um ensino. Desta forma, a própria parábola é a mensagem. É contada para alcaar os ouvintes, cativá-los e fazê-los pensar em suas própriasões e responder a Jesus. Porém, como reencontrar o impacto que as parábolas tiveram em seus primeiros ouvintes?

 

 

A EXEGESE DAS PABOLAS

 

Os dois pontos que cativam os ouvintes de uma parábola são o conhecimento dos pontos de referência do ouvinte/leitor e a virada inesperada da história. O que são os pontos de referências pode ser ilustrado por uma parábola: Lucas 7.40-42.

No contexto, Jesus foi convidado para jantar na casa de um fariseu chamado Simão, o que não era uma honraria para um mestre famoso, mas algo comum. A falta de hospitalidade para com Jesus sim é destaque, pois chegava a ser uma humilhação. Quando a prostituta consegue chegar até Jesus e passa a lavar seus pés com suas lágrimas e secar com seus cabelos é tida como estúpida por aqueles que estão jantando. Este fato apenas reforça as suspeitas de Simão para com Jesus, de que este não é um profeta e ao mesmo tempo deixa um ato de vergonha pública sem condenação. Neste momento Jesus, conhecendo o pensamento de seu hospedeiro, conta-lhe uma parábola: dois homens deviam dinheiro a um credor. Um deles devia quinhentos denários (R$

10.366) e o outro cinquenta denários (R$ 1036,00). Nenhum deles podia pagar a dívida, mas o credor perdoou ambas. A lão, então surge: Quem amará mais o credor? Aquele que tinha a dívida maior ou aquele que tinha a dívida menor?

Os pontos de referências são três: o credor (Deus) e os dois devedores (Simeão e a prostituta). Não moral ou interpretão, apenas a constatação da lão. Ela é uma palavra de julgamento para Simão e exige dele uma resposta. Para a prostituta é uma palavra de aceitação e perdão. Desta forma, a lão da parábola é a exigência de uma resposta da parte de Simeão.


Identificando o auditório

 

O significado da parábola está intimamente ligado ao que foi ouvido/lido pelos primeiro público que a recebeu. Em muitos casos nos Evangelhos os auditórios são descritos. Em tais casos a tarefa do intérprete éouvir” (i.e. ler) várias vezes a parábola, identificar os pontos de referências (discutidos acima) citados por Jesus e certamente captados pelos primeiros ouvintes/leitores e procurar entender como os primeiros ouvintes/leitores teriam se identificado com a história e respondido a Jesus.

Como exemplo, vamos usar a parábola do “Bom Samaritano” (Lc 10.25-37). Esta parábola é contada a um mestre da Lei que desejando se justificar, perguntou: Quem é meu próximo?”. A parábola, que é a resposta de Jesus a esta pergunta, desmascara a presunçosa justiça própria do mestre da Lei. Ele sabe o que a Lei diz, mas quer definir “próximo conforme sua vontade e entendimento, confirmando assim sua obediência irrestrita à Lei.

Nesta narrativa dois pontos de referência: o homem deixado na estrada e o samaritano. Duas informações importantes devem ser notadas: as duas pessoas que passam longe do homem assaltado e agredido são sacerdotes religiosos (sacerdote e levita), da ordem religiosa que contrasta com os fariseus e mestres da Lei, da qual faz parte o mestre da Lei que fez a pergunta a Jesus; e esmolar era a grande maneira do fariseu demonstrar “amor ao próximo”.

Ao contar algo comum, pois ser assaltado ao descer de Jerusalém para Jericó era comum, Jesus vai envolvendo o mestre da Lei. Os dois tipos sacerdotais descem pela estrada e passam longe do homem ferido. Certamente o mestre da Lei pensou: Quem esperaria outra coisa de sacerdotes? Naturalmente um fariseu aparecerá e socorrerá o homem”. Mas Jesus fala que um samaritano aparece e socorre o homem! Para entender todo o peso desta parábola é imprescindível compreender o ódio e o desprezo pelos samaritanos.assim a palavra samaritano soará em seu ouvido como soou no ouvido do mestre da Lei. O ódio e o desprezo eram tanto que o mestre da Lei não consegue nem responder usando a palavra samaritano”, mas diz:Aquele que teve misericórdia dele”.

Percebe o que Jesus fez com este homem? O segundo mandamento mais importante era amar ao próximo como a si mesmo (Lv 19.18), mas o mestre da Lei tinha um sistema pronto e fechado que permitia que eleamasse o próximo” dentro desses limites. Jesus desmascara o preconceito e o ódio do mestre da Lei e escancara sua desobediência à Lei. Opróximo não pode ser definido em limites pessoais e sua falta de amor não es no fato de ajudar ou não aquele homem, mas no fato de que odeia os samaritanos e despreza os sacerdotes.

 

 

 

As parábolas sem contextos

 

Algumas parábolas são apresentadas nos Evangelhos sem o contexto. Nestes casos devemos encontrar os pontos de referencia e o auditório original. Várias leituras apresentaram os pontos de referência e também o auditório original.

Na parábola dos trabalhadores da vinha (Mt 20.1-16) três pontos de referências: os trabalhadores que trabalharam o dia inteiro, aqueles que trabalharam apenas uma hora e o dono da vinha. Este fato é facilmente determinado, pois apenas eles são focalizados na história quando es chega à aplicão. O auditório original também é facilmente  detectado.  Quem  seria  atraído  por  uma  história  como  esta?  Certamente aqueles que se identificavam como os trabalhadores do dia inteiro.

 

 

As parábolas do Reino

 

Todas as parábolas anunciam um novo tempo de salvão que chegou com Jesus, mas algumas parábolas conhecidas como parábolas do Reino formam um grupo especial. Estas parábolas são expressamente anunciadas do seguinte modo: O Reino dos céus é semelhante a [...]”.

Devemos em primeiro lugar entender que esta introdão das parábolas do Reino não deve nos levar ao entendimento de que o Reino de Deus é semelhante ao primeiro elemento mencionado na parábola. Com um exemplo podemos entender melhor. Na parábola do grão de mostarda (Mc 4.30-32) Jesus não disse que o Reino de Deus é semelhante ao grão de mostarda. Observemos o texto:

É como um grão de mostarda, que é a menor semente que se planta na terra. No entanto, uma vez plantado, cresce e se torna a maior de todas as hortaliças, com ramos tão grandes que as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra.” (Mc 4.31-32).

O Reino de Deus é como o processo de plantio e desenvolvimento da mostarda que ao ser plantada parece tão pequena, mas cresce abundantemente, podendo servir de abrigo às aves. A inteireza da parábola e não pontos de referência ensinam acerca do

Reino.

 

Em segundo lugar devemos tratar essas parábolas do Reino como tratamos as outras parábolas. Deste modo, essas parábolas não ensinam acerca do Reino, mas elas


mesmas são a mensagem do Reino no ensino de Jesus e por isso exigem uma resposta

 

do ouvinte/leitor à sua chamada ao discipulado. Como exemplo para ilustrar essa afirmação, tomemos a parábola do semeador (Mc 4.3-20; Mt 13.3-32 e Lc 8.5-15).

Nesta parábola Jesus interpreta os pontos de referência: os quatro tipos de solo, que são os quatro tipos de resposta que as pessoas podem dar a proclamão do Reino. Mas o ensino da parábola é a necessidade urgente de ouvir:Aquele que tem ouvidos para ouvir, oa! (Mc 3.9). Desta forma, as parábolas são endereçadas às multidões como potenciais discípulos.

Como são parábolas do Reino que chegou, mas ainda não em plenitude, essas parábolas tem seu impacto no já. Desta forma anunciam que o Reino já chegou, logo é tempo de urgência. Esta proclamão de Jesus tem duas implicões: (1) o julgamento é iminente; (2) o Evangelho es sendo pregado e assim a salvão gratuita é oferecida.

Um exemplo de parábola que apresenta essa mensagem encontra-se me Lucas

 

12.16-20. Note que o contexto aponta para o ensino da atitude para com as posses à luz do Reino de Deus: o que realmente tem valor (1.1-12), a pergunta que resulta na parábola (12.13-21) e o ensino acerca do Reino (12.22-34). O homem da parábola é um tolo na perspectiva bíblica, pois procura viver sem levar Deus e consequentemente o Reino em conta. Mas a calamidade (i.e. o julgamento) virá.

A lão desta parábola não é a morte repentina, mas a proximidade do Reino que exige urgência. A pessoa é tola quando vive baseada em suas posses e bens, na segurança própria e não na perspectiva e de acordo com o Reino de Deus. Isso fica mais claro quando constatamos que a parábola é parte da resposta de Jesus a um pedido de envolvimento na partilha de uma herança (Lc 12.13). Jesus se recusa a ser juiz entre os irmãos que brigam pela herança, afirmando com a parábola que é irrelevante possuir bens à luz do momento atual da chegada do Reino.

A urgência apresentada nas parábolas também aponta para a salvão, pois a chegada do Reino apresenta o Evangelho. Nas parábolas de Mateus 13.44-46, destaca- se a alegria da descoberta do Reino. Alguns são surpreendidos pelo Reino (13.44) outros procuram e o encontram (13.45-46) e ambos se alegram com o Reino de Deus. O Reino não é o tesouro, nem tampouco a pérola, mas sim a dádiva de Deus.

As parábolas devem ser ouvidas/lidas como chamadas à resposta a Jesus e sua missão.


Questão hermenêutica

 

As  parábolas  exigem  de  nós  um  esforço  sem  igual  na  interpretação,  pois raramente era necessária a interpretão. Tinham aplicão imediata para os ouvintes e assim “pegavam” as pessoas de surpresa. Nós, porém, as recebemos escritas e com a necessidade de interpretão, pois não somos capazes de compreender imediatamente os pontos de referência que os ouvintes originais tinham. Por isso, duas afirmações são importantes:

Primeiro, devemos nos esforçar para ler e compreender as parábolas em seus contextos bíblicos. Todas as parábolas estão num contexto literário e usando da exegese podemos descobrir o ensino com alto grau de exatio. Em seguida, precisamos traduzir o ensino da parábola para nosso contexto.

Em segundo lugar, todas as parábolas anunciam o Reino de Deus de uma forma ou de outra. Anunciam que esse Reino chegou, mas ainda não e esse anúncio deve ser  feito  urgentemente.  Para  isso  é  muito  importante  um  entendimento  profundo  a respeito do Reino de Deus no ministério de Jesus.