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Treinamento - Igreja Presbiteriana de Novo Campos Elísios

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Aula 13 Hermenêutica Reformada

 

PRINCÍPIOS HERMENÊUTICOS REFORMADOS

A CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER

 

            Como base para interpretação, estudaremos o capítulo I da Confissão de Fé de Westminster, a fim de compreendermos princípios da hermenêutica reformada.

           

CAPÍTULO I – DA ESCRITURA SAGRADA

  1. “Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência de tal modo manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inescusáveis, contudo não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e da sua vontade necessário para a salvação por isso foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar à sua Igreja aquela sua vontade; e depois, para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazê-la escrever toda. Isto torna a Escritura Sagrada indispensável, tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo.

 

O primeiro princípio que encontramos afirma que todos os conhecimentos humanos, que são fruto da Revelação de Deus, não são suficientes para a salvação, embora as pessoas sejam condenadas por esse conhecimento, conforme afirma Paulo em Romanos 1.18-32. Isso significa que uma pessoa pode, diante de uma maravilha da Criação, questionar-se sobre a origem de tal realidade e sobre a existência de Deus, mas isso não pode conduzi-lo à fé salvadora. Por isso, como o conhecimento natural não é suficiente para a salvação, Deus se revelou e declarou sua vontade à Igreja através de uma Revelação Especial, as Escrituras. Isso quer dizer que não é possível conhecer a Deus salvadoramente fora da Escritura.

            Por isso, pode-se afirmar que as Escrituras servem para “a melhor preservação e propagação da verdade”, e “para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo”, pois a Revelação está registrada (“[...] foi igualmente servido fazê-la escrever toda.”), como resultado da ordem de Deus para tal registro. Isso faz da Escritura o registro da Revelação de Deus, não literalmente a Revelação. Essas declarações apontam, teologicamente, para o fato de que os textos da Escritura foram escritos à Igreja. O autor escreveu para a sua geração e para as gerações futuras. Deste modo, a autoridade de interpretação é da Igreja e não da universidade ou de outra instituição ou pessoa.

            Ainda sobre esse parágrafo, podemos afirmar que a Revelação de Deus através da Escritura está encerrada (“tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo”).

 

  1. Sob o nome de Escritura Sagrada, ou Palavra de Deus escrita, incluem-se agora todos os livros do Velho e do Novo Testamento, que são os seguintes, todos dados por inspiração de Deus para serem a regra de fé e prática:

 

            A lista que segue o parágrafo II é a mesma sequência de livros que encontramos nas bíblias evangélicas hoje.

 

  1. Os livros geralmente chamados Apócrifos, não sendo de inspiração divina, não fazem parte do cânon da Escritura; não são, portanto, de autoridade da Igreja de Deus, nem de modo algum podem ser aprovados ou empregados senão como escritos humanos.

 

            Os livros apócrifos já existiam, mas não tinham recebido autoridade canônica. No Concílio de Trento, também conhecido como Contra-Reforma, esses livros foram adicionados à bíblia romana, para combater a Reforma Protestante. Isso foi possível pela crença romana de que a Igreja, isto é, o colegiado romano tem a mesma [na prática até mais] autoridade que a Escritura. Para a fé evangélica a igreja está abaixo da Escritura e por isso não é a igreja que concede autoridade à Escritura, mas a própria Escritura.

 

  1. A autoridade da Escritura Sagrada, razão pela qual deve ser crida e obedecida, não depende do testemunho de qualquer homem ou Igreja, mas depende somente de Deus (a mesma verdade) que é o seu Autor; tem, portanto, de ser recebida, porque é a Palavra de Deus.

 

            Conforme discutido no parágrafo acima, a autoridade da Escritura não é dada pela igreja, mas depende de Deus, seu Autor último.

 

  1. Pelo testemunho da Igreja podemos ser movidos e incitados a um alto e reverente apreço da Escritura Sagrada; a suprema excelência do seu conteúdo, a eficácia da sua doutrina, a majestade do seu estilo, a harmonia de todas as suas partes, o escopo do seu todo (que é dar a Deus toda a glória), a plena revelação que faz do único meio de salvar-se o homem, as suas muitas outras excelências incomparáveis e completa perfeição, são argumentos pelos quais abundantemente se evidencia ser ela a palavra de Deus; contudo, a nossa plena persuasão e certeza da sua infalível verdade e divina autoridade provém da operação interior do Espírito Santo que, pela Palavra e com a Palavra, testifica em nosso coração.

 

            A igreja testemunha a favor da autoridade e importância da Escritura, assim como seu conteúdo, eficácia, majestade, harmonia, escopo e plena revelação. Porém, o único testemunho capaz de gerar certeza absoluta quanto a Escritura como infalível e divina Palavra de Deus é a operação do espírito Santo.

 

  1. Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a glória dele e para a salvação, fé e vida do homem, ou é expressamente declarado na Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela. À Escritura nada se acrescentará em tempo algum, nem por novas revelações do Espírito, nem por tradições dos homens; reconhecemos, entretanto, ser necessária a íntima iluminação do Espírito de Deus para a salvadora compreensão das coisas reveladas na Palavra, e que há algumas circunstâncias, quanto ao culto de Deus e ao governo da Igreja, comum às ações e sociedades humanas, as quais têm de ser ordenadas pela luz da natureza e pela prudência cristã, segundo as regras gerais da Palavra, que sempre devem ser observadas.

 

 

            Tudo o que o homem necessita como orientação para a glória de Deus, salvação fé e vida cristã estão claramente expressadas ou podem ser logicamente deduzidas da Escritura. Porém, mais uma vez é afirmada a necessidade do auxílio do Espírito Santo para a compreensão salvadora da Escritura. Em casos práticos que não há clara orientação na Escritura, pois ela não é exaustiva, deve-se usar a razão e a prud6encia cristã à luz da Escritura para compreensão e prática. Por isso a necessidade da hermenêutica.

 

  1. Na Escritura não são todas as coisas igualmente claras em si, nem do mesmo modo evidentes a todos; contudo, as coisas que precisam ser obedecidas, cridas e observadas para a salvação, em uma ou outra passagem da Escritura são tão claramente expostas e explicadas, que não só os doutos, mas ainda os indoutos, no devido uso dos meios ordinários, podem alcançar uma suficiente compreensão delas.

 

            Há assunto de difícil compreensão na Escritura, mas o que diz respeito a salvação, pode ser compreendida através dos meios ordinários, isto é, leitura e ensino da Escritura.

 

  1. VIII.O Velho Testamento em Hebraico (língua original do antigo povo de Deus) e o Novo Testamento em Grego (a língua mais geralmente conhecida entre as nações no tempo em que ele foi escrito), sendo inspirados imediatamente por Deus e pelo seu singular cuidado e providência conservados puros em todos os séculos, são, por isso, autênticos, e assim em todas as controvérsias religiosas a Igreja deve apelar para eles como para um supremo tribunal; mas, não sendo essas línguas conhecidas por todo o povo de Deus, que tem direito e interesse nas Escrituras e que deve, no temor de Deus, lê-las e estudá-las, esses livros têm de ser traduzidos nas línguas vulgares de todas as nações aonde chegarem, a fim de que a Palavra de Deus, permanecendo nelas abundantemente, adorem a Deus de modo aceitável ea esperança pela paciência e conforto das escrituras.

 

            A Escritura nas línguas originais é inspirada por Deus e por isso são “puras” e “autênticas”, não as traduções.  Por isso, em caso de dúvidas e divergências doutrinárias, as línguas originais devem ser consultadas. Estamos cronologicamente muito distante dos originais (também chamados de autógrafos) e por isso o texto bíblico não está totalmente preservado. Porém, de alguma forma, Deus os considerou puros e autênticos, não originais. Entretanto, independente do valor das línguas originais, a Escritura deve ser traduzida para todas as línguas a fim de ser acessível à todas as pessoas.

 

  1. A regra infalível de interpretação da Escritura é a mesma Escritura; portanto, quando houver questão sobre o verdadeiro e pleno sentido de qualquer texto da Escritura (sentido que não é múltiplo, mas único), esse texto pode ser estudado e compreendido por outros textos que falem mais claramente.

 

            Todo texto da Escritura deve ser interpretado à luz da Escritura. A Reforma promoveu o livre exame da Escritura e não a livre interpretação. Por isso, os textos da Escritura possuem um sentido único, não múltiplo, como atesta a Confissão de Fé (“sentido que não é múltiplo, mas único”). Já a aplicação pode mudar com o uso da hermenêutica.

 

  1. O Juiz Supremo, pelo qual todas as controvérsias religiosas têm de ser determinadas, e por quem serão examinados todos os decretos de concílios, todas as opiniões dos antigos escritores, todas as doutrinas de homens e opiniões particulares, o Juiz Supremo, em cuja sentença nos devemos firmar, não pode ser outro senão o Espírito Santo falando na Escritura.

 

Toda doutrina e interpretação da Escritura devem passar pelo crivo do Juiz Supremo que é o Espírito Santo. Ele fala através da Escritura. Por isso esta Confissão de Fé não defende a intenção autoral, mas a intenção Divina. Também pela ação do Espírito, os Reformadores defenderam a possibilidade de alcançar a intenção do autor.