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Treinamento - Igreja Presbiteriana de Novo Campos Elísios

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Aula 11 (Salmos)

 

EXEGESE – GÊNERO LITERÁRIO

OS SALMOS – AULA 11[1]

 

            O Livro dos Salmos é uma coleção de orações e hinos hebraicos inspirados. Além disso, são amados pelos judeus e cristãos. Essa importância faz dele a parte mais conhecida da Escritura, que é o “Livro” mais lido de todos os tempos. Isso faz do Livro dos Salmos a obra literária mais lida pela humanidade. Porém, assim como outras partes da Escritura, os Salmos também são mal interpretados.

            O problema de interpretação dos Salmos surge devido a natureza dos Salmos, ou seja, aquilo que são. A Bíblia é a Palavra de Deus e por isso os cristãos tendem a entender tudo o que ela contém como Palavras da parte de Deus para as pessoas. Porém, muitas pessoas não conseguem reconhecer que a Bíblia também contém palavras faladas para Deus e acerca de Deus e que estas também são inspiradas. Assim são os Salmos. Por serem basicamente orações e hinos, são dirigidos a Deus ou expressam verdades acerca de Deus em forma de cântico. Aqui, então, surge um problema hermenêutico sem precedentes da Escritura: como palavras faladas para Deus funcionam como Palavra de Deus para nós? Isso porque os Salmos não são preposições, nem imperativos, nem histórias que apresentam doutrinas e não funcionam para ensinar primeiramente doutrinas ou comportamentos morais. Porém, quando aplicados para os propósitos de Deus que os inspirou, não deixam de ser proveitosos para nos ajudar a (1) nos expressarmos diante de Deus e (2) considerar seus caminhos. Deste modo, os Salmos são de grande valia para aqueles que querem aprender a lidar com seus sentimentos e caminhar com Deus.

            O segundo problema que surge na interpretação dos Salmos é pelo fato de encontramos na Escritura vários tipos de Salmos, alguns mais fáceis de interpretar outros mais difíceis. Por exemplo, temos facilidade em interpretar o Salmo 23 e entender que neste Salmo Deus é apresentado um como Pastor que está conosco e cuida de nós, suprindo todas as nossas necessidades. Já o Salmo 137, em especial os versos 8 e 9, como interpretamos? Como interpretamos um Salmo que parece ser negativo do começo ao fim? E um Salmo que conta acerca da história de Israel e sobre as bênçãos derramadas sobre eles? Servem para mim? Como devemos interpretar os Salmos Messiânicos? O Salmos de sabedoria e os que falam acerca dos reis humanos, como entende-los?

            Embora seja necessário um livro para trabalharmos todas as questões de interpretação dos Salmos, nesta aula ofereceremos diretrizes para melhores interpretações para a vida pessoal e comunitária.

 

OBSERVAÇÕES EXEGÉTICAS

            Assim como outros gêneros literários encontrados na Escritura, os Salmos formam um tipo especial de literatura e por isso requerem cuidados especiais na leitura e interpretação. Especificamente nos Salmos, isto significa uma compreensão da sua natureza, em especial seus tipos, assim como suas formas e funções

 

            Os Salmos como poesia

            O primeiro e mais importante passo na leitura e interpretação dos Salmos é entender que são poemas, e poemas musicais. Há três considerações a fazer:

  1. 1.Os Salmos falam à mente através do coração.

Por serem poemas, os Salmos usam linguagem emotiva e devemos tomar cuidado para não exagerar na exegese e buscar sentido e significado onde o autor inspirado não intencional colocar. Examinemos o seguinte exemplo (Sl 19.1-2):

 

1 Os céus declaram a glória de Deus;

o firmamento proclama a obra das suas mãos.

2 Um dia fala disso a outro dia;

uma noite o revela a outra noite.

           

Nestes versos o objetivo do autor não é afirmar em cada verso algo diferente, mas apenas glorificar a Deus como Criador. Os “céus” e o “firmamento”, assim como “um dia” e “uma noite” fazem a mesma coisa: glorificar o Criador.  

    

  1. 2.Poemas musicais

Os Salmos não são apenas poemas, mas poemas musicais. Por isso, não podemos ler um Salmo como lemos uma epístola ou uma narrativa. A intenção do Salmo é influenciar nossas emoções e evocar sentimentos mais do que pensamentos e assim estimular uma resposta que vai além do entendimento meramente cognitivo. Por isso, o fato de que os Salmos tocam em certos tipos de questões, segundo sua maneira musical e poética, não permite que a pessoa tome por certo que esta maneira de expressar o assunto é automaticamente questão de debate racional.

Um exemplo é Salmo 51.5:

 

Sei que sou pecador desde que nasci,

sim, desde que me concebeu minha mãe.

 

            Não podemos defender a doutrina do pecado nesse verso. A partir desse verso muitos entendem que o ato sexual é pecado. Outros entendem que o ato de dar à luz é pecaminoso. Outros, ainda, defendem que a mãe do salmista era uma pecadora ou que o pecado original se aplica a criança ainda por nascer. Porém, o salmista está usando uma hipérbole, isto é, está exagerando com propósito deliberado, a fim de expressar de modo enfático e vívido que é um pecador. Assim como acontece com outros gêneros literários, devemos tomar o cuidado de não impor ao Salmo um sentido que ele nunca teve.

 

  1. 3.Vocabulário metafórico

Por tratar-se de um vocabulário metafórico, devemos procurar a intenção do autor. Um exemplo de metáfora é o Salmo 114.3-4:

 

O mar olhou e fugiu,

o Jordão retrocedeu;

os montes saltaram como carneiros,

as colinas, como cordeiros.

 

            Este trecho fala acerca da saída do povo de Israel do Egito, em especial da passagem pelo Mar Vermelho e dos milagres que acompanharam o povo. 

            É importante que a pessoa não “force” a metáfora, nem que a interpreta literalmente.

 

 

 

            Os Salmos como literatura

            Os Salmos são poemas musicais e por isso fazem parte de um tipo de literatura. Então, é importante reconhecer certos aspectos literários dos Salmos para melhor leitura e compreensão.

  1. 1.Tipos diferentes

Os Salmos são de vários tipos diferentes. Reconhecer esses tipos de Salmos é importantíssimo para uma correta leitura e interpretação (veremos mais detalhadamente mais adiante). O povo de Israel conhecia todos os tipos de Salmos. Eles conheciam, por exemplo, os Salmos de Lamento, usados individual ou coletivamente para expressar a aflição diante do Senhor e pedir socorro; assim como Salmos de Ações de Graças, usados individual ou coletivamente para expressar alegria na misericórdia que o Senhor demonstrara.   

  1. 2.Forma

Os Salmos possuem além de tipos, formas específicas. Essas formas podem ser identificadas através da estrutura que compartilha com outros Salmos. Ao compreendermos a estrutura do Salmo conseguiremos entender o que está “acontecendo” dentro do Salmo. Conseguiremos reconhecer as transições de assunto.  

  1. 3.Função

Cada Salmo tem uma determinada função na vida de Israel. Isso faz com que cada Salmo tem seu propósito deliberado. Por isso, não é correto usar um Salmo real que teve como função original a celebração da realeza de Israel e usá-lo num casamento. Tal Salmo não foi projetado para ser aplicado numa cerimônia de casamento.

  1. 4.Padrões

Os Salmos contêm arranjos ou repetições de palavras e sons, bem como jogos estilísticos com palavras. Alguns Salmos são acrósticos, isto é, as letras iniciais de cada linha ou verso acompanha o alfabeto hebraico. O Salmo 119 é um exemplo de acróstico. Através disso o Salmo ensina não apenas com seu texto, mas também com sua estrutura.

  1. 5.Unidade Literária

Cada Salmo deve lido como uma perícope e tratados como uma obra completa e não divididos em versos avulsos. Isso faz com que cada verso seja interpretado dentro da estrutura total do Salmo. Esse exercício gera profundidade e verdade na interpretação.

 

 

O USO DOS SALMOS NO ISRAEL ANTIGO

Os Salmos, diferente dos cânticos hoje que apenas marcar os momentos do culto até a chegada do sermão, conectavam o adorador a Deus. Não podemos datar a maioria dos Salmos, porém são notavelmente aplicáveis as nossas vidas hoje.

Os Salmos eram cantados por Israel durante as subidas ao Templo de Jerusalém, durante os momentos de adoração e também durante a lida diária. Os Salmos foram colecionados em Cinco Livros dos Salmos: Livro I (1 – 41), Livro II (42 – 72), Livro III (73 – 89), Livro IV (90 – 106) e Livro V (107 – 150). Esses Livros não são separados de acordo com o tipo de Salmos, mas encontramos todos os tipos de Salmos nos Cinco Livros de Salmos.

De acordo com os títulos, que não fazem parte dos Salmos originais e, portanto, não são inspirados, Davi escreveu quase a metade dos Salmos: 73 ao todo. Moisés escreveu um: Salmo 90; Salomão escreveu dois Salmos (72 e 127), os “filhos de Asafe” escreveram vários Salmos, assim como os “filhos de Coré”. Outros autores também foram inspirados e escreveram Salmos.

Após o retorno do cativeiro, o saltério tornou-se o “saltério” do Templo de Jerusalém, tendo o Salmo 1 como introdução de todo o Livro e o Salmo 150 como conclusão. O Livro começa com a Palavra de Deus e termina com Louvor a Deus. Entre esse início e fim encontramos as mais variadas situações enfrentadas Poe uma pessoa ou comunidade que orando e cantando passa uma a uma.

 

OS TIPOS DE SALMOS

            Os Salmos têm sete categorias diferentes. Embora estas categorias possam coincidir parcialmente ou tenham sub-categorias, servem bem para classificar o Salmo e assim nos orientar na leitura e interpretação.

 

  1. 1.Lamento

Os Salmos de lamento formam o maior grupo de Salmos do saltério, com mais de 60 Salmos e com lamentações individuais e comunitários. As lamentações pessoais (e.g. Sl 3, 22, 31, 39, 42, 57, 71, 120, 139, 142) auxiliam na expressão pessoal ao Senhor das lutas, sofrimentos e decepção. Os lamentos comunitários (e.g. 12, 44, 80, 94, 137) auxiliam do mesmo modo que os individuais, porém com grupos ao invés de indivíduos.

Estes Salmos devem se usados com enfrentamos dificuldades e dúvidas, seja individualmente ou em grupo a leitura e estudo desses Salmos podem nos ajudar. Os israelitas passaram muitas dificuldades no Antigo Testamento e sempre as enfrentava orando e cantando os Salmos. Esses Salmos de lamento expressam profundo fervor e fé na misericórdia do Senhor, e são absolutamente honestos diante da aflição enfrentada.   

  1. 2.Ações de Graças

Os Salmos de Ações de Graças eram usados em situações apostas àquelas dos Salmos de Lamento. Tais Salmos expressam alegria diante do Senhor porque algo de bom acontecera ou as circunstâncias eram boas. Ações de Graças também eram dados pela fidelidade, proteção e benefício do Senhor. Há seis Salmos de Ações de Graças comunitários (65, 67, 75, 107, 124 e 136) e dez individuais (18, 30, 32, 34, 40, 66, 92, 116, 118 e 138) no Saltério.  

  1. 3.Hinos de Louvor

Diferente dos Salmos de Ações de Graças que resultam de situações específicas, os Salmos de Louvor centralizam-se em Deus, em quem Ele é e em sua grandeza e beneficência com toda a terra, assim como para com seu povo. Deus é louvado como Criador de todas as coisas (Salmos 8, 19, 104 e 148), como Protetor e Benfeitor de Israel (Salmos 66, 100, 111, 114 e 149) e como Senhor da História (Salmos 33, 103, 113, 117, 145, 146 e 147). Estes Salmos reconhecem que Deus merece esses louvores que podem ser individuais e coletivos.

  1. 4.História da Salvação

Esses Salmos (78, 105, 106, 135 e 136) têm como foco a História das obras salvíficas de Deus entre o povo de Israel, em especial a libertação do Egito e a criação de Israel em uma nação. 

  1. 5.Celebração e Afirmação

Nesta categoria estão incluídos vários tipos de Salmos. Um primeiro grupo é das liturgias da renovação da Aliança (Salmos 50 e 81). Estes Salmos eram usados para conduzir o povo à renovação da Aliança firmada no monte Sião (Êx 24.1-8). Entre esses encontramos Salmos davídicos da Aliança, que louvam ao Senhor pela eleição da linhagem de Davi. Visto que essa linhagem gerou o nascimento do Messias, esses Salmos oferecem um fundo histórico para o ministério do Senhor Jesus. Há os Salmos de Reis (2, 18, 20, 21, 45, 72, 101, 110 e 144). Entre esses há Salmos de ações de graças reais (e.g. 18) e de lamento real (e.g. 144). Relacionados com os Salmos reais estão os Salmos de entronização (24, 29, 47, 93, 95-99). Provavelmente, estes Salmos eram usados nas cerimônias de entronização real no Israel antigo. Por fim, há os Salmos conhecidos como Cânticos de Sião ou Cântico da Cidade de Jerusalém (46, 48, 76, 84, 87 e 122). Jerusalém é o centro desses Salmos. Isso fora predito por Moisés enquanto Israel ainda peregrinava pelo deserto (Dt 12). Jerusalém veio a ser a cidade central de Israel e onde o Templo foi construído e a soberania da dinastia de Davi exercia autoridade. Jerusalém é a cidade santa e como o Novo Testamento utiliza o símbolo de uma Nova Jerusalém (como céu), estes Salmos continuam úteis na adoração cristã.      

  1. 6.Sabedoria

Encontramos oito Salmos de Sabedoria: 36, 37, 49, 73, 112, 127, 128 e 133. O próprio capítulo oito de Provérbios é um Salmo de louvor a Sabedoria que ganha personalidade própria. O apóstolo Paulo em 1Cor 1.24 afirma que a Sabedoria de Deus é Jesus Cristo.

  1. 7.Confiança

Os Salmos de Confiança formam um grupo de dez Salmos: 11, 16, 23, 27, 62, 63, 91, 121, 125 e 131. Eles centralizam a atenção no fato de que podemos confiar em Deus, mesmo em tempos de desespero, pois sua bondade e seu cuidado para com seu povo são reais e devem ser manifestados. Estes Salmos nos ensinam e inspiram a confiar em Deus independente de nossa situação.    

 

UMA MOSTRA EXEGÉTICA

            Para ilustrar e praticar a importância do conhecimento da estrutura de um Salmo, vamos estudar dois Salmos de perto. Um é de lamento e o outro de ações de graças.

 

            Salmo 3: Um lamento

            Ao compararem os Salmos de Lamento os estudiosos conseguiram encontrar seis elementos que aparecem de uma forma ou de outra em quase todos eles. Em sua ordem típica, são:

  1. i.Destinatários. O salmista identifica Aquele para quem o Salmo é direcionado (oração). Naturalmente é o Senhor.
  2. ii.Queixa. O salmista derrama, com honestidade e ênfase, sua queixa, identificando qual o problema e por que a ajuda do Senhor está sendo procurada. A queixa reflete fé.
  3. iii.Confiança. O salmista imediatamente expressa sua confiança em Deus e espera uma resposta de Deus, conforme Sua (de Deus) vontade.
  4. iv.Libertação. O salmista implora a Deus, para que Ele o liberte da situação descrita na queixa.
  5. v.Segurança. O salmista expressa a certeza de que Deus o libertará. Esta segurança tem paralelo com a confiança.
  6. vi.Louvor. O salmista oferece louvor, dando graças a Deus e agradecendo pelas bênçãos do passado, do presente e/ou do futuro. Esse louvor pode ser antes da ação Deus em favor do

 

SALMO 3

Salmo de Davi, quando fugiu de seu filho Absalão.

1 SENHOR, muitos são os meus adversários!

Muitos se rebelam contra mim!

2 São muitos os que dizem a meu respeito:

“Deus nunca o salvará!” Pausa

3 Mas tu, SENHOR, és o escudo que me protege;

és a minha glória e me fazes andar de cabeça erguida.

4 Ao SENHOR clamo em alta voz,

e do seu santo monte ele me responde. Pausa

5 Eu me deito e durmo, e torno a acordar,

porque é o SENHOR que me sustém.

6 Não me assustam os milhares que me cercam.

7 Levanta-te, SENHOR!

Salva-me, Deus meu!

Quebra o queixo de todos os meus inimigos;

arrebenta os dentes dos ímpios.

8 Do SENHOR vem o livramento.

A tua bênção está sobre o teu povo.

 

            Neste Salmo identificamos os elementos do Salmo de lamento da seguinte maneira:

  1. 1.Destinatário (3.1a). Uma oração simples e direta, sem “rodeios”, típico de alguém em situação difícil.
  2. 2.Queixa (3.1b-2). A segunda parte do verso 1 e o verso 2. O salmista descreve os inimigos e como sua situação parece sombria.
  3. 3.Confiança (3.3-6). O salmista afirma quem Deus é, como Ele responde à oração e como protege seu povo em situação desesperadora.
  4. 4.Libertação (3.7). O salmista pede socorro. Interessante notar que o pedido de socorro aparece só agora, depois da expressão de confiança. A confiança é expressa antes do pedido de libertação. Isso indica que a confiança não depende da resposta, mas do caráter de Deus.
  5. 5.Segurança (3.7b). É uma metáfora e significa que Deus irá resolver os problemas. Isso não quer dizer que Deus resolverá conforme a vontade do salmista, mas que Deus entrará com a sua providência.
  6. 6.Louvor (3.8). O salmista louva a Deus pela sua fidelidade. Deus é declarado como Libertador e Abenç

 

Salmo 138: Um Salmo de Ações de Graças

Os Salmos de Ações de Graças contêm uma estrutura com os seguintes elementos:

 

  1. i.Introdução. Aqui resume-se o testemunho do salmista de como Deus o socorreu.
  2. ii.Aflição. A situação da qual Deus livrou o salmista.
  3. iii.Apelo. O salmista reitera o apelo que fizera a Deus.
  4. iv.Libertação. O salmista descreve a libertação realizada por Deus.
  5. v.Testemunho. O salmista louva a Deus pela sua misericórdia.

 

Conforma a estrutura apresentada acima, os Salmos de Ação de Graças baseia-se na gratidão pelo que Deus já fez. 

 

 

 

 

 

Salmos 138 – Davídico

 

1 Eu te louvarei, SENHOR, de todo o coração;

diante dos deuses cantarei louvores a ti.

2 Voltado para o teu santo templo eu me prostrarei

por causa do teu amor e da tua fidelidade;

pois exaltaste acima de todas as coisas o teu nome e a tua palavra.

3 Quando clamei, tu me respondeste;

deste-me força e coragem.

4 Todos os reis da terra te renderão graças, SENHOR,

pois saberão das tuas promessas.

5 Celebrarão os feitos do SENHOR,

pois grande é a glória do SENHOR!

6 Embora esteja nas alturas,

o SENHOR olha para os humildes,

e de longe reconhece os arrogantes.

7 Ainda que eu passe por angústias, tu me preservas a vida

estendes a tua mão direita e me livras.

8 O SENHOR cumprirá o seu propósito para comigo!

Teu amor, SENHOR, permanece para sempre;

 

            Neste Salmo identificamos os elementos do Salmo de Ação de Graça da seguinte maneira:

  1. 1.Introdução (138.1-2). O salmista louva a Deus por causa de sua grandeza, seu amor e sua fidelidade.
  2. 2.Aflição (138.3). O salmista não identifica o motivo do clamor, mas louva a Deus, pois foi atendido quando clamou.
  3. 3.Apelo (138.3). O apelo está implícita no verso 3 e o salmista louva a Deus, pois teve o apelo atendido.
  4. 4.Libertação (138.6-7). Embora Deus seja tão grande (afirmação feita nos versos 1 e 2), Ele atenta e se preocupa com seu povo e conhece de longe os arrogantes. Essa atenção se manifesta no cuidado e livramento de Deus em meio a angústia.
  5. 5.Testemunho (138.4-5 e 8). O salmista afirma que todos os poderosos da terra renderão glória ao Senhor por causa de suas promessas e glória (versos 4-5). Da mesma forma, o salmista afirma sua convicção de que o Senhor agirá em sua vida e por isso testemunha o amor eterno de

 

A leitura, análise e interpretação dos vários tipos de Salmos renderão muitos e proveitosos frutos. Aproveite essa introdução e aprofunde-se no estudo dos Salmos.

 

ESPECIAL: SALMOS IMPRECATÓRIOS

            Uma das razões porque os Salmos geram tamanha atração para as pessoas durante a História é que sua linguagem é plena de emoções humanas, até mesmo expressões extremadas. De fato, os Salmos nos fazem seres humanos no sentido mais pleno e profundo da palavra. Caso esteja triste ou alegre, confiante ou angustiado, pensativo ou animado, os Salmos auxiliarão na expressão de todos esses sentimentos.

            Como seres humanos, somos passíveis a todo tipo de sentimento e emoções. Alguns são comuns, outros, porém, podem nos conduzir ao pecado e a atitudes contra outras pessoas, o que é contrário ao ensino de Jesus. É melhor expressar sentimentos como raiva, ira e ódio em palavras do que dar vazão a atitudes violentas. Alguns Salmos nos auxiliam exatamente nesse exercício: expressar verbalmente nossas emoções e sentimentos, por pior que sejam, para e através de Deus. Estes trechos são chamados de imprecatórios e os encontramos sempre nos Salmos de Lamento.

            Se formos honestos, teremos que admitir que pensamentos negativos a respeito de outras pessoas povoam nossas mentes. Porém, sabemos que não devemos permitir que tais pensamentos nos influenciem a ponto de agirmos contra tal pessoa. O próprio livro de Salmos nos ensina que não devemos deixar que nossa ira gere pecado: “Quando vocês ficarem irados, não pequem; ao deitar-se reflitam nisso, e aquietem-se” (Sl 4.4). O Novo Testamento reafirma esse ensina: “Quando vocês ficarem irados, não pequem. Apazigúem a sua ira antes que o sol se ponha” (Ef 4.26). Conseguimos cumprir tal mandamento através das partes imprecatórias dos Salmos.           

 

 

 

 

            Um exemplo: Salmo 137.7-9

 

7 Lembra-te, SENHOR, dos edomitas

e do que fizeram

quando Jerusalém foi destruída,

pois gritavam: “Arrasem-na!

8 Ó cidade de Babilônia, a

destinada à destruição,

feliz aquele que lhe retribuir

o mal que você nos fez!

9 Feliz aquele que pegar os seus filhos

e os despedaçar contra a rocha!

 

            O Salmo 137 é uma lamentação pelo sofrimento padecido pelos israelitas no Exílio; sua capital Jerusalém, tinha sido destruída, e sua terra lhes fora tirada pelos babilônios, ajudados pelos edomitas, conforme atesta o livro do profeta Obadias. Evocando a Aliança (“A mim pertence a vingança e a retribuição. No devido tempo os pés deles escorregarão; o dia da sua desgraça está chegando e o seu próprio destino se apressa sobre eles” Dt 32.35), o salmista pede o juízo dos ímpios, no caso os babilônios, de acordo com as maldições da Aliança.

            O que o salmista faz neste Salmo é manifestar a Deus seus sentimentos de forma hiperbólica com relação aos babilônios. Deus é quem escuta as palavras do salmista.

            Desta forma, os Salmos imprecatórios não contradizem o ensino de Jesus no Novo Testamento (e.g. Mt 5.43-48). O problema é que confundimos “amar” com “sentir amos por alguém”. Nossos sentimentos fogem de nosso controle algumas vezes e o amor apresentado pela Escritura é real e prático. O mandamento bíblico é amar (na prática) e não “sentir amor”. Os Salmos imprecatórios nos auxiliam a amarmos nossos inimigos, amarmos aqueles que nos fazem mal. Através dos Salmos imprecatórios não “nos deixamos vencer pelo mal, mas vencemos o mal com o bem” (cf. Rm 12.21).       

 

OBSERVAÇÕES HERMENÊUTICAS

            Antes de pontuarmos os benéficos hermenêuticos, devemos afirmar que os Salmos servem para a Igreja como serviram para Israel: como palavras para Deus e acerca de Deus. Os Salmos são Palavra de Deus inspiradas pelo Espírito que nos ensinam a buscarmos a Deus em todas as situações da vida: alegria, tristeza, medo, dúvida, sofrimento, gratidão e louvor.

            Em primeiro lugar, os Salmos nos orientam na adoração. Muitos Salmos são de louvor, adoração e ação de graças e podem nos auxiliar em nossas expressões de adoração ao nosso Deus.

            Em segundo lugar, os Salmos nos levam à honestidade com relação a Deus. Através dos Salmos somos encorajados e orientados a manifestar nossos sentimentos, sejam eles bons ou ruins, corretos ou não, ao Senhor. A honestidade é uma marca de todos os salmistas.

            Em terceiro lugar, os Salmos nos conduzem a uma vida de reflexão e meditação sobre aquilo que Deus fez, está fazendo e fará por nós. Sejam atitudes “boas” ou “ruins”, Deus continua trabalhando na vida do seu povo e isso em favor de seu povo. Os Salmos nos apresentam um Deus próximo, acessível e pessoal. Por isso, quando clamamos a Deus e pedimos socorro, estamos expressando nossa fé no Senhor.

 

CONCLUSÃO

            Concluímos este breve estudo afirmando que a leitura, estudo, canto e oração dos Salmos não nos garantem uma vida sem dificuldades e provações. Os Salmos fazem exatamente o contrário; conduzem-nos à vida humana. O Livro de Salmos nos oriente a vivermos através da Palavra de Deus (Salmos 1). Através dos Salmos somos ensinados a enfrentar as dificuldades e sofrimentos, assim como passar por momentos de alegria e louvor. O que o Livro de Salmos nos garante é que a vida daquele que lê/ora/canta os Salmos terá um final feliz, como garante o Salmo 150 e o livro de Apocalipse.    



[1] Aula prepara com material de: FEE, G. D. & STUART, D. Entendes o que lês. Um guia para entender a Bíblia com o auxílio da exegese e hermenêutica. São Paulo: Vida Nova, 1997, pp. 175-195.